Mesmo tendo filho cedo, estagiando e ganhando meu dinheirinho (inho mesmo), tendo minhas responsabilidades, sendo dona do meu nariz, sem precisar pedir permissão pra fazer o que eu quisesse, sem ter que ficar dando satisfação... Eu nunca havia me sentido adulta antes, apesar de sentir que era dona da minha vida. Eu me considerava "jovem". Sei lá, a palavra "adulta" sempre teve um peso muito grande.
Lembro de quando eu ia fazer dezoito anos. Eu sabia que apagar mais uma vela no bolo não ia mudar a minha vida por inteiro, mas era uma nova fase que se iniciava. Eu estava fazendo vestibular, então o ano seguinte poderia ser o primeiro ano da faculdade. O primeiro passo de uma longa jornada rumo à "adultescência".
Um dia, no cinema, faltando duas semanas pro 26 de janeiro, entrei em pânico. Chorei o filme inteiro, desesperada e com medo. Eu não queria crescer. Não queria milhares de responsabilidades. Não queria fazer faculdade de medicina - que foi meu sonho até os 17 anos, até eu ficar com nojo do cordão umbilical do meu irmãozinho recém nascido e perceber que eu não nasci pra isso.
Quando eu era criança, bem pequena, morria de vontade de crescer logo. Pra poder ir na padaria comprar bala sozinha. Pra poder pegar o ônibus pra ir pra escola. E quando esses momentos chegaram, eu percebi que era muito mais fácil ser criança e ter vários adultos fazendo as coisas por mim.
Eu já era "grandinha" e tinha que cortar meu bife sozinha, preparar meu proprio nescau, pentear meu cabelo (que meu pai costumava pentear quando eu era picutucha), passar minha camisa de uniforme, etc etc.
Aí eu resolvi que esse negócio de crescer não era tão legal assim. Até porque eu achava os adultos chatos. Sempre achei. Umas pessoas sérias demais, que andavam duro, que estavam sempre preocupadas com alguma coisa (geralmente dinheiro), que já tinham deixado o espírito de aventura adormecer... Eu não queria virar adulta não...
Então, mesmo com o tempo passando e minha vida tomando seu rumo natural (tá, posso ter adiantado algumas fases...), eu me recusava a ser adulta. Até ontem.
Ontem, depois do almoço, eu estava fazendo minha higiene bucal completa, com escovação cuidadosa, fio dental e bochecho com plax.
Esse ritual demorou um tempinho, como deve ser, e eu acabei filosofando sobre esse ato tão cotidiano.
Lembrei de quando eu era criança e detestava escovar os dentes. Minha mãe tinha que me mandar pro banheiro (sob protesto) e fiscalizar a escovação. Lembro de umas pílulas vermelhas que eu tinha que bochechar com água pra mostrar se tinha algum lugar mal escovado. E uma ampulheta que mostrava quanto tempo eu deveria ficar escovando. Fio dental então... Sempre detestei!
Então lá estava eu, fazendo uma higiene bucal caprichada, de livre e expontânea vontade. Claro, agora eu tenho consciência da importância de manter os dentes e a boca limpos. Sei como é chato quando dá cárie. Como é caro e dolorido fazer um canal. Detesto ir ao dentista e, pra não precisar ir, tenho que fazer esse trabalho preventivo. Ninguém mais precisa me fiscalizar.
Olha só que coisa! Minha mãe já não me pentelha mais pra eu escovar os dentes! Não é mais obrigação dela. Porque, se eu não cuidar da minha boca, quem vai ficar com mau hálito, cárie, placa ou qualquer um dos doze problemas bucais do comercial de pasta de dente, sou EU. E eu é que vou me virar pra resolver, já que eu sou grandinha.
Eu percebi que grande parte do meu medo de crescer e me tornar "adulta" era preconceito. Os adultos com quem eu convivia eram pais, parentes, professores e outras pessoas que tinham uma certa autoridade sobre mim. Foi só ouvir "respeite os mais velhos" e pronto: causou um problema na pessoa que tinha resistência a hierarquia. Me sentia injustiçada diantes daqueles "mais velhos" que sempre me diziam o que fazer, como fazer, como pensar e agir. Pra piorar, eu ainda tinha que abaixar a cabeça e respeitar.
Os adultos tendem a respeitar mais os outros adultos do que os "jovens". As pessoas mais velhas têm tendência a achar que são mais sábias que as mais novas, só porque têm mais experiência. Muitas vezes elas estão certas. E os "jovens" muitas vezes são tolos por desprezarem os conselhos dos "adultos", por pura resistência, enquanto os "mais velhos" erram ao se portarem como se fossem superiores, só porque já passaram por determinada situação que deixa os "jovens inexperientes" de cabelos em pé.
Quando comecei a conviver com pessoas adultas no trabalho, minha visão mudou um pouco. O tratamento era quase de igual pra igual. Eu percebi que nem todos os adultos são chatos e se acham os donos da verdade. Muitos deles eram ainda sabia se divertir e eram pessoas leves, agradáveis, interessantes, de um jeito que eu gostaria de ser. E eu entedi que "adultescer" é mais uma etapa da vida. Que ela chega em algum momento, não adianta brigar contra ela. Tem suas vantagens e desvantagens, como qualquer outra. E as vantagens são muito bacanas. Então, eu aprendi a me comportar como adulta. O interessante é que os iguais se reconhecem. Tipo crianças que nunca se viram antes, brincando no parque. Trocam meia dúzia de palavras e viram melhores amigos, brincam a tarde inteira e vão embora pra casa, pra nunca mais se verem. Uma sabe que a outra é criança, que nem ela. As conexões ficam mais fáceis.
Então, só o fato de se portar como adulto já faz com que outros adultos de tratem como igual e não como alguém inferior, que "tem muito o que aprender nessa vida" (todos nós temos, não é mesmo?)
A partir do momento que eu engravidei e resolvi ter meu filho, apesar de contrariar a opinião, os conselhos e quase ordens dos "mais velhos, mais experientes e mais sábios", comecei a conquistar algum respeito.
Era como dizer "olha só, quem manda na minha vida sou eu e eu sei o que eu estou fazendo, ok?"
E eu descobri que as pessoas tendem a respeitar quem tem segurança nas suas decisões. Quem passa uma imagem madura (por mais que esteja morrendo de medo por dentro) e consegue ouvir opiniões de todos os lados, balançar a cabeça pra todo mundo, pra depois fazer as coisas do seu jeito - e dar tudo certo no final.
A sensação que eu estou tendo agora, lembrando do quanto eu precisei brigar pra conquistar o respeito e confiança de todo mundo, é de que eu venci. Porque eu mostrei que, apesar da experiência e sabedoria dos mais velhos, eu tenho alguma coisa dentro de mim que me mostra o caminho certo, por mais que todo mundo pense o contrário. E eu sei tirar proveito das minhas experiências. Eu aprendo com elas a todo instante e amadureço.
Não tenho mais medo de "adultescer" de vez. Acho que vencer o medo foi o passo mais difícil. Crescer não dói.
Só espero não virar uma "pessoa mais velha" daquelas chatas e sérias, que sabem tudo sobre tudo, que se sentem superiores só porque viveram um pouco mais e exigem respeito dos "jovens".








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....Im just see through faded, super jaded and out of my mind....
Adorei o journal
hehehe
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Maybe on Earth,
Maybe in the Future
seja bem vindo!
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...and nao it looks really stupid.
Tô add aqui...
Bjum
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Felipe Barroso - Vector Artist
taggei vc outra vez!
beijinho**
vc é magnifica...
a do entregador foi a melhor...
eu agarraria sem dó nem piedadekkkkk
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«·´·.*·.¸
eita, sei lá, hein! vai que o cara se esquiva, né? ia ficar chatão...
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